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Prelazia do Marajó estabelece diretrizes de cuidado para crianças e adolescentes

O município de Breves recebeu, recentemente, o Conselho Pastoral da Prelazia do Marajó, um encontro estratégico que reuniu representantes de 10 paróquias espalhadas por nove municípios da região. Além de ser um espaço de avaliação da caminhada pastoral e planejamento evangelizador, o evento deste ano trouxe um foco urgente e essencial: a proteção de crianças e adolescentes contra qualquer forma de abuso ou negligência.

O debate contou com a participação de membros da comissão Lux Mundi (Luz do Mundo), do Conselho Tutelar e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Breves. O Bispo do Marajó, Dom Frei Evaristo Spengler, reforçou que a Igreja Católica, seguindo as diretrizes do Papa Francisco e da CNBB, adota uma postura de tolerância zero contra abusos. A Prelazia agora institucionaliza diretrizes rígidas que orientam todas as paróquias e comunidades da região sobre como prevenir abusos e acolher denúncias.

A Dinâmica da Ação

A reportagem do programa Balanço Geral Marajó, com Marlon Nascimento, registrou a profundidade das discussões. O encontro serviu para alinhar o papel da Igreja não apenas como guia espiritual, mas como rede de proteção. Dom Frei Evaristo destacou a importância de que a Igreja seja um instrumento de denúncia: ao receber qualquer relato de violação em suas comunidades, a orientação é encaminhar imediatamente o caso ao Conselho Tutelar e aos órgãos competentes.

Contexto e Enfrentamento Cultural

Um dos pontos de maior relevância na fala do Bispo foi o combate a justificativas culturais para a violação de direitos infantis. Ao ser questionado sobre práticas comuns em certas localidades do interior, onde o início precoce da vida sexual de crianças é por vezes naturalizado, o Bispo foi contundente: "Pode até ser cultural, mas não é normal. Não podemos aceitar".

A fala de Dom Frei Evaristo ecoa a necessidade de romper ciclos de negligência que, muitas vezes, são silenciados no Marajó. O compromisso reafirmado pela Prelazia é de que o respeito à dignidade e à integridade física e psicológica das crianças deve estar acima de qualquer costume, sendo uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade, Estado e instituições religiosas.
Chamado à Sociedade

A Prelazia do Marajó faz um convite a toda a população marajoara — católica ou não — para que se tornem protetores ativos da infância. Seja no ambiente familiar, profissional ou comunitário, a vigilância deve ser constante. A estrutura de proteção, por meio da comissão Lux Mundi, serve de exemplo para que outras instituições locais também criem mecanismos de transparência e acolhimento para vítimas de violência.