O Início do Calvário: Do Hospital Municipal à Internação na UPA
De acordo com as informações apuradas pela reportagem de Miri Nunes, veiculadas no programa do jornalista Marlon Nascimento e repercutidas pelo Portal M7, a via-crúcis da família iniciou no dia 22 de abril, quando Liane deu entrada no Hospital Municipal de Breves para o nascimento de sua filha. Após a cirurgia e a subsequente alta médica, a paciente retornou para casa, mas a recuperação esperada nunca chegou.Seu Benedito relata que, desde os primeiros dias pós-parto, a esposa começou a apresentar sangramentos contínuos e dores agudas. Em busca de respostas, a família iniciou uma exaustiva peregrinação. Primeiro, procuraram um posto médico local, de onde foram encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Breves. Exames teriam apontado a presença de uma "massa" anômala na região pélvica da paciente, exigindo uma investigação mais profunda.
No entanto, o tão conhecido "jogo de empurra" da saúde pública entrou em cena. Encaminhada ao Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), referência para alta complexidade nos municípios marajoaras, Liane realizou novos exames, mas a família foi informada de que não haveria intervenção cirúrgica nem na esfera municipal e nem na regional. Sem uma resolução, a paciente segue internada na UPA, recebendo apenas cuidados paliativos para a dor.
A Luta de um Pai e o Desafio com um Bebê de 2 Meses
O impacto desse impasse médico atinge o seio da família de forma devastadora. Enquanto Liane luta em um leito de UPA contra o sangramento e a dor, Seu Benedito tenta encontrar forças para cuidar da filha do casal, uma bebê de apenas dois meses que foi abruptamente privada da presença e dos cuidados integrais da mãe em sua fase mais crucial de desenvolvimento."O que eu peço é que operem para ela ficar boa, porque ela sofre muito", desabafou o pai, com a voz embargada e o semblante marcado pela preocupação de quem não sabe mais a que porta bater. A ausência de um diagnóstico preciso e de um encaminhamento definitivo gera um cenário de total insegurança emocional e física.
O Retrato da Saúde Pública no Arquipélago do Marajó
O caso de Liane Martins não é um fato isolado, mas sim o reflexo de um problema crônico na infraestrutura de saúde da Ilha do Marajó. O município de Breves, sendo o polo central da região, absorve não apenas a demanda de seus próprios moradores, mas também de diversas comunidades ribeirinhas e municípios vizinhos, como Portel e Bagre.A sobrecarga no Hospital Municipal e a alta triagem no Hospital Regional frequentemente resultam em longas filas de espera ou recusas de procedimentos cirúrgicos complexos. Para as populações locais, que já enfrentam os desafios imensos da logística fluvial amazônica, ter a saúde negligenciada dentro da própria cidade polo é um golpe duríssimo na garantia dos direitos básicos do cidadão.
Solidariedade e Cobrança por Justiça
Em meio à ineficiência do sistema, o que muitas vezes salva as famílias é a histórica empatia do povo brevense. Durante o Balanço Geral, o apresentador Marlon Nascimento destacou a força da solidariedade marajoara, fazendo um apelo não apenas por apoio emocional à família de Seu Benedito, mas exigindo que o poder público municipal e estadual dê uma resposta digna e rápida à paciente.O Portal M7 segue acompanhando de perto os desdobramentos desse caso, reafirmando seu compromisso com o jornalismo que cobra as autoridades e dá voz à população. A vida de Liane importa, e o choro de uma bebê de dois meses exigindo sua mãe saudável em casa deve ecoar nos gabinetes de quem tem o dever de resolver.
