A economia do Arquipélago do Marajó tem na agricultura familiar um de seus pilares de sobrevivência. Na rodovia PA-159, que concentra dezenas de comunidades produtoras no município de Breves, o clima é de desespero e revolta. Agricultores que fornecem alimentos para a merenda escolar através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) denunciam que estão há dois meses sem receber os pagamentos devidos pela gestão municipal.
A gravidade da situação foi trazida à tona pelo jornalismo da Marlon Nascimento TV, que investigou a fundo os repasses e expôs um cenário de aparente descaso com o trabalhador do interior do Pará.
O Drama na PA-159: Produção na "Força do Braço" e Ciclo Interrompido
A obrigatoriedade de aquisição de produtos locais é uma política pública essencial para movimentar a economia dos municípios. Recentemente, a legislação do PNAE determinou que o percentual mínimo de compra de gêneros alimentícios da agricultura familiar municipal deve ser de 46% (anteriormente o índice era de 30%). O objetivo é garantir comida fresca e de qualidade no prato do aluno marajoara e renda justa para quem planta.
A Prefeitura de Breves tem realizado as compras, mas falha no momento mais importante: o pagamento. Sem o recurso na conta, o pequeno produtor, que muitas vezes já não conta com fomento e suporte tecnológico da Secretaria de Agricultura do município, não consegue manter o seu ciclo de plantio e colheita. A inadimplência gera um efeito cascata brutal: sem receber, o agricultor não compra insumos, não paga ajudantes e, no limite, compromete o próprio sustento familiar.
Dinheiro em Caixa: Repasses Federais Ultrapassam R$ 1,8 Milhão
Diante do atraso que asfixia as comunidades da PA-159, a pergunta imediata é: será que o Governo Federal cortou a verba da educação de Breves? Os dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) provam exatamente o contrário.Um levantamento no portal da transparência demonstra que os repasses do PNAE continuam caindo rigorosamente em dia nas contas do município (Banco do Brasil). Apenas no período compreendido entre fevereiro e abril de 2026, a Prefeitura de Breves recebeu mais de R$ 1.845.000,00 (Um milhão, oitocentos e quarenta e cinco mil reais) exclusivamente em recursos federais voltados para a alimentação escolar, sem contar a contrapartida que deve ser dada pelos cofres municipais. Há ainda extratos comprovando depósitos nos meses de maio e junho deste ano.
Ainda de acordo com a apuração, para mascarar o problema atual, a gestão teria liberado pagamentos residuais irrisórios alegando ser recursos do ano passado, enquanto as verbas de 2026 seguem retidas ou sendo destinadas a fins desconhecidos.
Transparência Urgente: Cadê o Dinheiro do Agricultor?
O silêncio do Executivo e da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) diante de verbas depositadas e não repassadas configura uma situação alarmante. O recurso da merenda escolar é carimbado: ele tem destino certo e prazo para chegar a quem suou para produzir as hortaliças, frutas e farinha que alimentam as crianças nas escolas da cidade e dos rios.O Portal M7, em conjunto com o jornalismo investigativo local, continuará cobrando um posicionamento oficial das autoridades de Breves. Não é admissível que o desenvolvimento da nossa região seja sufocado por atrasos injustificáveis. Quebrar o produtor rural é quebrar a base econômica do nosso próprio município.
