A Força-Tarefa e os Momentos Críticos do Resgate
A operação de emergência teve início por volta das 23h, quando a equipe de prevenção do Corpo de Bombeiros, que já atuava no local do evento, acionou reforços. De imediato, guarnições de resgate pré-hospitalar e de combate a incêndios e salvamento foram deslocadas para o epicentro do desastre.O cenário descrito pelo Sargento Marreiros era de caos, com múltiplas vítimas. O caso mais severo foi o da jovem Vanessa Ribeiro. De acordo com os bombeiros, ela sofreu uma forte descarga elétrica no momento da queda da estrutura, o que desencadeou uma Parada Cardiorrespiratória (PCR). Os socorristas identificaram a gravidade durante a triagem e realizaram três ciclos de reanimação cardiopulmonar ainda no local. Vanessa chegou a ser entregue com vida no Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), mas, infelizmente, devido a complicações associadas a uma broncoaspiração, não resistiu e veio a óbito.
Varredura Térmica e Ação Integrada
Para garantir que ninguém ficasse preso debaixo das pesadas ferragens e lonas, o 11º GBM mobilizou 20 militares, que trabalharam em conjunto com Bombeiros Civis, Guarda Municipal e profissionais de saúde, como enfermeiros locais. Uma das prioridades foi o corte imediato do fornecimento de energia para evitar novas eletrocussões. Além disso, as equipes utilizaram câmeras térmicas de alta precisão para fazer uma varredura minuciosa nos escombros, descartando a presença de outras vítimas soterradas.Balanço Oficial de Vítimas e Transferência para Belém
O balanço definitivo divulgado pelo Grupamento aponta que 20 pessoas deram entrada em unidades de saúde do município. Além da vítima fatal, 11 pacientes com escoriações e crises hipertensivas (provocadas pelo pânico) foram estabilizados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).Outros cinco pacientes que exigiam cuidados mais complexos foram encaminhados ao Hospital Regional. Entre eles, o caso que mais preocupa as autoridades médicas é o de um senhor que sofreu fraturas e graves danos na coluna. Devido à complexidade ortopédica e neurológica, ele será inserido no sistema de regulação do Estado para transferência via UTI aérea ou fluvial especializada para Belém, onde passará por intervenção cirúrgica.
Limites de Atuação: De Quem é a Culpa pela Estrutura?
Um dos pontos mais contundentes da fala do Sargento Marreiros foi o esclarecimento sobre as responsabilidades de fiscalização. A população marajoara vem questionando como uma estrutura daquele porte foi liberada.O Sargento foi taxativo ao explicar que a competência do Corpo de Bombeiros se restringe ao plano de prevenção contra incêndio e pânico — verificando, por exemplo, o posicionamento de extintores e rotas de fuga. Toda a documentação exigida neste aspecto havia sido entregue pela empresa responsável e aprovada na vistoria inicial.
A solidez, os cálculos e a integridade da estrutura física de metal não são avaliados pelos Bombeiros, mas sim por engenheiros responsáveis contratados pela organização do evento. Diante do colapso físico e estrutural, a Polícia Civil assumiu o caso e acionará a Polícia Científica de Belém para a realização da perícia rigorosa no local, que segue totalmente isolado pela Polícia Militar e Guarda Municipal.
Conclusão O pronunciamento do 11º GBM lança luz sobre o esforço heroico das equipes de resgate, mas também joga a responsabilidade pela falha estrutural para a empresa montadora e para os órgãos de engenharia. O povo de Breves e de todo o Marajó chora suas perdas, mas exige justiça. O Portal M7 seguirá acompanhando as investigações da Polícia Civil e o desenrolar das perícias, cobrando para que episódios como este jamais voltem a macular a cultura e a segurança do povo amazônida.
