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UFPA Breves Sedia 1º Seminário de Pós-Graduação e Consolida a "Ciência Marajoara

A Amazônia Marajoara historicamente serviu como "laboratório" para pesquisadores de fora. Acadêmicos que enfrentavam a logística fluvial ou faziam pontes aéreas, passavam três dias no Arquipélago e retornavam para suas capitais com teses sobre uma realidade que mal vivenciavam. Esse cenário, contudo, acaba de sofrer uma revolução epistemológica com a realização do I Seminário dos Programas de Pós-Graduação no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), no município de Breves.

Sob o tema "Amazônia Marajoara: Território de Saberes e Produção de Conhecimento", o evento transformou a maior cidade do Marajó no epicentro da produção científica regional. Toda a identidade visual e logística do encontro foram construídas a muitas mãos, refletindo o esforço coletivo de professores e alunos que lutam diariamente pela valorização da educação no interior do Pará.

A mensagem do seminário foi clara e contundente: nada sobre o Marajó deve ser feito sem a participação ativa dos sujeitos marajoaras. Acabou a era do "safári acadêmico"; hoje, quem estuda as comunidades ribeirinhas, os rios e as florestas são os próprios filhos dessa terra.
Marcos Educacionais: Mestrados e o Inédito Doutorado em Educação

Um dos maiores entraves para a qualificação de alto nível na região sempre foi a dura logística de deslocamento. Professores do interior precisavam abandonar seus lares e enfrentar horas de barco até Belém para conseguir cursar uma pós-graduação stricto sensu.

O seminário em Breves celebrou a quebra dessa barreira, coroando o funcionamento simultâneo de três programas de peso dentro do próprio território:

  • Mestrado em Sociobiodiversidade: Um programa originário do próprio campus local.
  • Mestrado em História Social da Amazônia: Através do prestigiado programa de antropologia da UFPA.
  • Doutorado em Educação: Um marco histórico onde, pela primeira vez, uma turma inteira de professores e educadores marajoaras tem a oportunidade de cursar um doutorado sem deixar o seu chão.
O professor Agenor Sarraf, referência acadêmica que há 35 anos se dedica com excelência à educação dos povos da região, definiu a confluência desses três programas como um "marco na história da educação do Marajó". Segundo ele, quem vem das águas, das florestas, das áreas de várzea e terra firme sonha com políticas públicas educacionais que reflitam a sua própria memória e ancestralidade.

"Uma Ciência Marajoara": 93 Pesquisas que Mudam Realidades

O engajamento com a academia foi massivo. O seminário registrou 93 pesquisas em andamento conduzidas exclusivamente por pesquisadores marajoaras. Os trabalhos não se limitam apenas à exuberância das nossas riquezas naturais, mas mergulham nas complexidades das questões climáticas, históricas, relações sociais e práticas educativas libertadoras.

Mais do que artigos para encher prateleiras de bibliotecas, esses trabalhos possuem um propósito direto de transformação. O evento destacou a urgência de promover não apenas o "desenvolvimento" extrativista, mas o "envolvimento sustentável" das nossas periferias urbanas e comunidades rurais.

De Pesquisas Acadêmicas a Políticas Públicas Reais

A ciência produzida no campus de Breves possui uma utilidade prática e inestimável. Ao final do seminário, os resultados e diagnósticos levantados por essas pesquisas estarão disponíveis para consulta pública.

O objetivo é que esse rico acervo sirva de ferramenta direta para prefeitos, vereadores e gestores públicos. A universidade está mapeando as problemáticas estruturais da região e oferecendo os caminhos metodológicos para as soluções. Cabe agora ao poder público ler, ouvir e aplicar as estratégias elaboradas pelas mentes brilhantes do nosso Arquipélago.