Moraes barra visita de assessor de Trump a Bolsonaro na "Papudinha" por risco de ingerência
O ministro Alexandre de Moraes recuou da decisão e proibiu o encontro entre Darren Beattie, assessor de Trump, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entenda os motivos do Itamaraty.
O cenário político voltou a esquentar nesta quinta-feira (12). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, reconsiderou uma decisão anterior e negou o pedido de visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo de Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão no 19º Batalhão
da Polícia Militar, em Brasília — local popularmente conhecido como "Papudinha"
— por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022.
O recuo e o alerta do Itamaraty
Inicialmente, Moraes havia sinalizado positivamente para o
encontro, mas voltou atrás após um alerta do Ministério das Relações Exteriores
(Itamaraty). Segundo o órgão, a visita de um representante oficial do governo
dos EUA para tratar de assuntos internos com um detento condenado poderia
configurar uma "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado
brasileiro".
Além disso, o Itamaraty informou que a agenda de Beattie no
Brasil, comunicada previamente à diplomacia, não previa compromissos com o
ex-presidente, o que levantou suspeitas sobre o caráter da reunião.
Quem é Darren Beattie?
Beattie é uma figura influente no novo governo de Donald
Trump, sendo o principal responsável por políticas voltadas ao Brasil. Crítico
feroz das decisões do STF, ele já se referiu a Alexandre de Moraes em redes
sociais como o "coração da perseguição" a Bolsonaro. A defesa do
ex-presidente tentou agendar a visita para uma data fora do cronograma regular
da unidade prisional, o que também pesou na negativa do ministro.
A vida na "Papudinha"
Diferente das celas comuns do sistema penitenciário, a
"Papudinha" oferece condições excepcionais. Bolsonaro dispõe de uma
área de quase 65 m², com banheiro privativo, cozinha e espaço para exercícios
físicos. No entanto, o controle de quem entra e sai do local permanece sob
rédea curta de Moraes, relator dos processos.
O que acontece agora?
A decisão de Moraes pode gerar um novo mal-estar diplomático
entre o Palácio do Planalto, o STF e a Casa Branca. A defesa de Bolsonaro já
estuda novos recursos, alegando que o ex-presidente tem direito a receber
visitas de autoridades estrangeiras, enquanto o governo brasileiro reforça a
soberania das decisões judiciais.
