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Descaso em Breves: Rua Ângelo Fernandes Sofre com Infraestrutura Precária e Moradores Temem Acidentes Graves

O município de Breves, o maior pólo populacional e econômico do Arquipélago do Marajó, lida historicamente com desafios urbanos estruturais que muitas vezes são agravados pelo rigoroso inverno amazônico. No entanto, o problema vai muito além das chuvas naturais quando a execução de obras públicas falha em entregar qualidade e durabilidade. É exatamente essa a triste realidade denunciada pelos moradores da Rua Ângelo Fernandes Breves, localizada no bairro Bandeirantes.
A via, que é um trecho nevrálgico da cidade por abrigar o quartel do 9º Batalhão da Polícia Militar (9º BPM) e o ginásio da Escola Estadual Maria de Lourdes, foi engolida por crateras, desníveis perigosos e lama. A situação, que já ultrapassou o limite do incômodo e se tornou um risco à vida, foi destaque em uma reportagem investigativa veiculada pelo canal Marlon Nascimento TV, revelando o sentimento de abandono que impera na comunidade.

Asfalto de Baixa Qualidade e o Perigo Diário no Bairro Bandeirantes

A pavimentação asfáltica de qualidade é um anseio fundamental para qualquer marajoara. Contudo, quando o tão sonhado asfalto chegou à Rua Ângelo Fernandes, a decepção foi imediata. Segundo os residentes locais, a qualidade do material asfáltico utilizado — popularmente chamado de "piche" — foi tão questionável que bastou pouco tempo e algumas chuvas para a via voltar ao estágio de terra e buracos.

Dona Raimunda, moradora histórica da área, fez um desabafo contundente à equipe de reportagem. Ela conta que o local é perigoso até mesmo para pedestres. "Essa rua sempre foi horrível quando chove. Uma senhora passou por ali, escorregou, caiu e quebrou o braço", denunciou com indignação. O relato evidencia que a má qualidade do serviço não é apenas uma questão estética, mas uma falha que já causou danos físicos graves aos idosos da comunidade.

Paliativos Ineficazes e o Risco Constante de Colisões

A Rua Ângelo Fernandes não é um trecho isolado. Por dar acesso ao quartel e ser uma rota escolar movimentada, o fluxo de motocicletas, bicicletas e veículos pesados é diário. Diante do risco iminente, os moradores cobraram a prefeitura inúmeras vezes. O que receberam de volta, no entanto, foi um paliativo precário.

Dona Raimunda narra que, recentemente, um trator da gestão municipal foi até o local e despejou restos de entulhos de obras dentro das poças. A medida irresponsável só piorou a trafegabilidade. O material solto misturou-se à lama, transformando o trecho em um atoleiro escorregadio. "Eles jogaram entulho, mas não adiantou nada, piorou muito. Eu tenho medo de ver um acidente feio aqui. Vem moto daqui, moto dali. Eles só vão ajeitar de verdade quando houver uma tragédia", lamenta a moradora.

A Voz da Comunidade e a Cobrança por Serviços Públicos Dignos

Para a população de Breves, ver recursos públicos desperdiçados em obras sem vida útil é uma das maiores decepções com o poder executivo. A precariedade da via também compromete a saúde pública, pois o acúmulo de lama em frente às portas das casas propicia a proliferação de vetores de doenças tropicais.

A indignação ganha contornos de revolta com a morosidade do poder público. "Eu peço que eles venham fazer um serviço digno pra gente. Porque eles só aparecem na nossa rua em tempo de eleição, para pedir voto. A gente vota e depois a rua fica nessa situação", cobrou Dona Raimunda.

O jornalismo comunitário é a principal ponte entre a angústia do povo e as obrigações da prefeitura. Como bem frisou o apresentador Marlon Nascimento, os marajoaras exigem e merecem o mínimo: respeito, infraestrutura e o direito constitucional de ir e vir com segurança. 

O Portal M7 endossa o apelo da população do bairro Bandeirantes e seguirá cobrando incansavelmente a Secretaria Municipal de Obras (SEOB) de Breves, esperando que um cronograma de asfaltamento digno e definitivo seja apresentado antes que o pior aconteça.